Aprender na internet

future-learnA internet é reconhecidamente um instrumento de empoderamento para muitas pessoas. No âmbito da aprendizagem e do ensino desde a década de 1980 as tecnologias de informação têm sido utilizadas como recurso pedagógico alternativo. Embora o seu uso como meio de aprendizagem seja, por vezes, discriminado com olhares preconceituosos principalmente por pessoas e instituições tradicionais, cada vez mais, até por uma questão de economia de tempo e dinheiro, a adesão ao modelo de “e-learning” tem alcançado espaço positivo nas sociedades contemporâneas.

As universidades na década de 1980, nomeadamente nos Estados Unidos, iniciaram este processo a partir da criação de cursos por encomendas para atender pedidos de empresas. Na altura, tal opção foi muito mal vista pelos professores que tinham o receio de que a figura do mestre fosse trocada pela presença do monitor, cabendo aos primeiros apenas a responsabilidade de elaboração de manuais.

Apesar deste cenário ainda existir, a penetração da internet como meio de ensino é crescente. Os cursos universitários a distância oferecidos por  universidades conceituadas têm ajudado gradativamente a melhorar a nossa imagem acerca da internet como mediadora da aquisição de competências. É um preconceito que se conecta a tantos outros que a internet tem enfrentando por razões ideológicas. Lembro-me da época em que fazia jornalismo o quão temível era a Wikipedia como fonte de informação. Acho que ainda é.

Interpretações acerca da internet como um espaço sem início e sem fim, sem fronteiras, um território-de-ninguém, um lugar perigoso e cheio de labirintos, acabaram por criar imagens distorcidas acerca das suas potencialidades. Até pouco tempo, as Ciências Sociais olhavam para internet com desconfiança quando projetos científicos propunham utilizá-la como campo de pesquisa. O bom disso tudo é que há muita gente sem preconceitos tecnológicos e muita gente animada a aprender e a gozar do melhor que a interação promovida pela internet pode oferecer. Durante três anos, trabalhei como monitor na Universidade Aberta de Portugal (UAB), uma escola superior que oferece exclusivamente formação superior através da internet. Foi uma experiência fabulosa, tanto do ponto de vista pedagógico como do ponto de vista social. Embora o projeto da UAB careça de melhoramentos na parte técnica e na forma como conduz a sua proposta pedagógica, constatei o quanto o ensino a distância pode facultar a quem não pode frequentar uma sala de aula presencial, oportunidades de aquisição de conhecimento formal, melhorando não só o seu currículo pessoal como a própria auto-estima.

Também têm despontando no campo do e-learning diversos cursos livres promovidos por universidades renomadas e por projetos de associações culturais. Estes dias conheci, através da Jussara, o projeto Future Learn, um bom exemplo de como a internet pode ser aproveitada de modo gratuito para promover a troca de conhecimentos em variadas áreas, alargando os nossos níveis de competência. Outro exemplo interessante no Brasil é o projeto da Universidade de São Paulo (USP) chamado “e-aulas“. Através de um site é possível encontrar conteúdos em diferenciados campos científicos. Não é um site de cursos a distância (a USP também tem o seu próprio projeto de EaD) e sim um repositório de conferências, aulas e palestras.

Boa aula. 😀

Se você quiser saber dados estatísticos sobre o ensino a distância no Brasil, consulte os censos da Associação Brasileira de Ensino a Distância (ABED).

Em Portugal, o cenário do e-learning tem sido alvo de observação do projeto Panorama E-learning Portugal, da Universidade do Minho. No site do projeto, você pode encontrar interessantes informações.

No âmbito do ensino privado no Brasil, a Faculdade AIEC é um ótimo exemplo de formação universitária através do Ensino a Distância.

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