Rumo a uma sociologia pirata

1949a7aa84eddd5b7c5703ff54615520Tradução  livre do texto de Mark Carrigan

Já que este título me faz imaginar C. Wright Mills em um traje de pirata, é importante clarificar o sentido de ‘pirata’ que utilizo aqui. Como Gary Hall coloca no seu livro Pirate Philosophy, a etimologia da palavra “pirata” antecede a nossa figura cultural acerca desta personagem, de tal forma que “o pirata aqui é alguém que faz uma tentativa, tenta, provoca, dificulta, experimenta, empenha, ataca”. (Pg. 121).

O pirata é alguém que sempre atua de modo experimental, reduzindo a distância entre a idéia e a atividade de uma maneira radicalmente aberta. O objetivo do pirata é intervir e aprender com a sua própria intervenção, crescendo através do fazer em vez de adiar indefinidamente o momento da ação em nome de estar adequadamente preparado. O pirata age no ritmo das oportunidades que se apresentam, encarando os planos meramente como um auxílio à navegação a ser dispensado quando muda o terreno em que operam.

Esta orientação pode dar a ideia de que o pirata surge para apressar as coisas, mas apenas no sentido da sua multiplicidade de engajamento com o seu ambiente. O “processo” de desenvolvimento de ideias do pirata pode ser lento, justificado pela rapidez com que essas ideias levam a ações. A constante expansão do seu repertório de ação pode dar a aparência de hiperatividade, enquanto os propósitos subjacentes à sua implantação podem se tornar cada vez mais focados com o tempo. O “ser” do pirata emerge através do seu fazer.

 O experimentalismo do pirata torna-os resistentes ao conhecimento pré-formatado, como também aos padrões estabelecidos. Obstáculos institucionais são constrangimentos situacionais ocasionalmente utilizados de modo estratégico para negociar os seus interesses, mas mais frequentemente usados para serem postos à prova, alargados ou atacados. Os piratas estão preocupados em “tentar novos sistemas e modelos econômicos, legais e políticos para a produção, a publicação e a partilha de conhecimento e idéias”. (Pg 121) O pirata não se preocupa em ser “produtivo”, mas quer ser eficaz. Neste sentido, o pirata representa uma figura que pode prosperar na academia acelerada sem estar comprometido com seus imperativos.

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